Comentários sobre as causas dos erros da técnica e sobre suas conseqüências ___ ______
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As
causas que levam aos erros de técnica são extremamente variadas.
Dependendo das pessoas, elas podem alterar, mais ou menos gravemente, as
características do timbre, assim como os órgãos vocais, e modificar o
gesto respiratório.
As principais causas são:
1 - A falta
das noções elementares das leis que regulam a função respiratória e
vocal. Daí advêm os erros de técnica que culminam nas anomalias
importantes do gesto vocal.
2 - Os métodos empíricos baseados sobre uma
experiência pessoal ou na pesquisa de um timbre particular, imposto por
um professor de canto e que não corresponde à voz natural do cantor, nem
a sua conformação, nem às suas possibilidades.
3 - A classificação prematura, o erro de
classificação ou a desclassificação voluntária, razões estas que
maltratam a voz, que a cansam excessivamente ou a deterioram.
4 - O uso da voz profissional antes que a
técnica esteja corretamente assimilada ou que a interpretação dos papéis
não corresponda às possibilidades do cantor.
A prática do canto coral, amador ou profissional
o que favorece o maltrato e o cansaço excessivo, principalmente se a
pessoa está usando sua voz numa classificação errada.
5 - O maltrato vocal, trata-se de uma intoxicação lenta e
progressiva que se instala insidiosamente e intervém após um excesso de
trabalho. Encontra-se isto, particularmente naqueles que procuram um
hipertimbre. No início não há lesão, mas as alterações das cordas vocais
aparecem depressa e aumentam com o tempo. Concomitantemente, há
hipersecreção e pigarros e as cordas vocais tornam-se rosadas, depois
vermelhas e deformadas. Estas perturbações aparecem, geralmente, nos
cantores que não se preocupam com a respiração, ou quando esta se
encontra mal-adaptada. Também naqueles que recebem orientações errôneas,
nos que são mal e/ou prematuramente classificados. Enfim, quando há uma
má higiene vocal e geral.
A fadiga vocal excessiva é a conseqüência de
esforços prolongados tais como: notas sustentadas muito tempo, abuso de
notas agudas, ou trabalhar a voz quando há rouquidão. As cordas vocais
ficam vermelhas assim como os órgãos vizinhos. As modificações da forma
das cordas vocais e de sua tensão aparecem logo depois.
Tanto para o
maltrato como para a fadiga excessiva, a musculatura perde sua agilidade
e sua resistência. Segue-se uma diminuição do rendimento vocal, assim
como modificações das particularidades acústicas do timbre que podem ir
da voz velada à mais discreta chegando à rouquidão persistente e às
deformações das cordas vocais, portanto a uma incoordenação entre o
trabalho dos órgãos vocais e respiratórios.
Estas diferentes causas terão repercussões sobre a
respiração, seja por que a maneira imposta de respirar não é
fisiológica, seja por que o cantor tem dificuldades próprias.
Eis aqui as mais importantes causas destas dificuldades.
A respiração invertida. O ar é tomado na parte
superior do tórax e determina esforços no nível dos ombros, do pescoço e
dos músculos laríngeos. Durante a fonação, o ventre se contrai, se
imobiliza, é o bloqueio diafragmático, o que torna impossível os
movimentos naturais deste músculo. A voz é áspera por falta de agilidade
da musculatura respiratória.
Os movimentos respiratórios exagerados são
acompanhados por uma capacidade respiratória muito grande, por uma
dilatação exagerada dos alvéolos pulmonares, podendo provocar o enfisema
e fazendo com que a voz se eleve muito. Com freqüência ao emitir notas
agudas, o cantor eleva toda a parte superior da caixa torácica e inspira
o máximo de ar. Ele confunde capacidade e pressão.
A rigidez muscular tem como conseqüência uma
capacidade insuficiente e impossibilita a adaptação do gesto
respiratório ao da emissão, devido à ausência do jogo diafragmático.
A respiração costal-superior nos dois tempos da
respiração. Somente a parte superior da caixa torácica mexe. Este modo
de respirar tem como conseqüência uma hipertonia da musculatura
abdominal, que nos momentos de forte intensidade ou no extremo agudo é
obrigada a um acréscimo de trabalho.
A abertura exagerada das costelas sobre as quais
o cantor toma apoio. Isto limita a possibilidade de movimento da cinta
abdominal bem como sua agilidade.
Os movimentos da parede abdominal são muito
exagerados e são feitos em detrimento da abertura lateral das costelas e
do trabalho da musculatura dorso-lombar. Ou encontramos contração,
somente no nível da cavidade epigástrica, por falta de tonicidade do
grande reto, ou a parte superior deste músculo é empurrada para a frente
no momento da fonação.
O trabalho do grande reto é mal compreendido. Ao
invés de relaxar na inspiração, ao mesmo tempo que a parede do abdômen,
ele se contrai e é empurrada para a frente, o que limita os movimentos
abdominais.
A falta de tonicidade da cinta abdominal que não pode, desta forma,
desempenhar seu papel de sustentação. A voz é velada e lhe falta
intensidade. A inspiração é normal, mas o ventre é empurrado para a
frente durante o canto.
Os movimentos inspiratórios são desproporcionais
e não estão relacionados com a quantidade de ar inspirado. Neste caso, a
capacidade pode ser insuficiente ou exagerada.
Na maioria dos casos, as imperfeições do gesto
respiratório impedem ou limitam a subida do diafragma. Decorrem disto,
esforços de compensação, especialmente no pescoço, nos órgãos laríngeos e
peri-laríngeos. Fica difícil regular e sustentar a respiração em função
das exigências da música, o que leva mais ou menos rapidamente aos
problemas de emissão devidos a um trabalho mal distribuído, excessivo ou
insuficiente, conforme cada caso. A laringe fica prejudicada nos seus
movimentos naturais, a faringe modifica seu volume, as cordas vocais
coaptam demais ou de modo insuficiente, daí se seguem as alterações do
timbre, as modificações da duração, da intensidade e da altura tonal.
No que diz respeito à articulação, as dificuldades
observadas, geralmente decorrem de orientações errôneas, por
desconhecimento das regras da fonética, de emissões que utilizam
atitudes anormais determinando uma rigidez muscular, ou pela falta de
tonicidade.
É preciso impedir: a abertura da boca em altura na maioria das sílabas
(o que abafa a voz e deforma a articulação), a posição transversal
exagerada dos lábios, de modo pouco estético e pouco habitual. E, ainda,
evitar a rigidez da mandíbula, a expressão crispada do rosto, os
movimentos inexatos da língua e o tremor a que ela é submetida nos
agudos, às vezes mesmo em toda a extensão vocal. Este defeito muito
difundido, indica uma sonoridade que não encontrou seu lugar, que mexe
com cavidades mal-adaptadas ao som da laringe e, sobretudo, a um sopro
mal direcionado ou, ainda, a um excesso de pressão. Isto começa com um
tremor regular associado a um vibrato exagerado que pode levar à voz
caprina.
Freqüentemente ressaltamos ao longo deste
trabalho, - dada sua interação com os órgãos circunvizinhos -, a
importância dos movimentos articulatórios, pois é por seu intermédio que
as sonoridades vocais são criadas e que certos problemas de timbre
podem ser corrigidos.
É evidente que todo cantor, que deseje ser compreendido, deveria
respeitar certos princípios. Se os oradores cometessem os mesmos erros,
utilizassem as mesmas deformações da articulação que observamos em
alguns cantores, eles também não seriam compreendidos. Algumas pessoas
argumentarão que a voz cantada exige movimentos e tensões mais
desenvolvidas que a voz falada. Mas, já que existem cantores dotados de
uma voz poderosa cujo texto é percebido inteiramente e atravessa a
ribalta, por que não deveria ser igual para os outros? É normal escutar
certos cantores e não saber em que idioma eles cantam?
Temos que observar atentamente as posições da laringe, localizada
muito em cima ou muito embaixo em relação à altura tonal. Nestas
condições é fácil imaginar o esforço pedido à toda a musculatura
circunvizinha para impedir a laringe de executar os movimentos de
ascenso ou descenso e o incômodo imposto à articulação.
A posição muito baixa da laringe pode ser conseqüência de uma
má-adaptação do bocejo. Este procedimento pode ser utilizado, pois
bocejar nos permite tomar consciência de que os pilares, o véu palatino,
assim como a parede faríngea estão em tensão muscular e provocam o
alargamento transversal das cavidades de ressonância. Ele não é ineficaz
nem perigoso, desde que se leve em conta que bocejar exige uma enorme
tensão da musculatura, a ponde de provocar, simultaneamente, um recuo da
língua em direção à hipo-faringe o que impõe o abaixamento da laringe e
impede os movimentos destes dois órgãos (figura 30). Podemos pensar no
bocejo quando se trata da musculatura velo-faríngea, isto pode ser útil
em alguns casos, desde que isto não impeça a mobilidade da língua e da
laringe.
Podemos
observar cantores cuja laringe está sempre posicionada muito em cima e
desta forma há falta de flexibilidade. Nesta atitude excessiva, a base
da língua se eleva e se contrai exageradamente contra o véu palatino, o
que diminui o volume da cavidade faríngea.
Estas duas posições extremas são muito usadas como base da técnica do
canto. Elas são anti-fisiológicas, por que impõem ao mesmo tempo uma
coaptação excessiva das cordas vocais, uma modificação do timbre, uma
pressão expiratória intensificada demais, assim como uma má união
faringo-laríngea.
No que diz respeito à emissão vocal, devemos abolir tudo aquilo que
incomodará ou impedirá a acomodação das cavidades supra-laríngeas ao som
emitido pela laringe:
buscar um timbre específico, muito claro ou muito sombrio, o exagero
das ressonâncias guturais, palatais, faríngeas e nasais, indica sempre,
uma péssima distribuição das zonas de ressonância.
o esforço para colocar a voz na frente, mesmo nos momentos de grande
potência - o que incita a empurrar - quando todos os fenômenos acústicos
são experimentados no interior dos órgãos.
a voz na máscara ou sobre os lábios.
o abuso de certos apoios que representam esforços excessivos.
cantar muito alto ou baixo demais, muito grave ou muito agudo em
relação às possibilidades naturais. Insistir demais sobre notas agudas
ou em passagens extensas.
inclinar a cabeça para frente, o que impede os movimentos laríngeos e indicam a pesquisa da voz na parte anterior da cabeça.
o “golpe de glote” ou tomada da nota por baixo que resulta da falta de
sincronização entre a pressão sub-glótica e a postura das cavidades
faringo-laríngeas.
treinamento vocal sempre na mesma vogal.
abuso da voz de cabeça que, não sustentada pode levar à voz de falsete.
uso abusivo do portamento o que indica a falta de sinergia entre os órgãos vocais e respiratórios.
Todas estas pesquisas ou abusos do gesto vocal
vão determinar, principalmente, um comportamento de esforço que terá
conseqüência sobre o timbre da voz.
Serão alterações tais como:
A voz estridente, que é o resultado de uma voz
clara demais, exageradamente brilhante e localizada na frente. O cantor
força sua laringe que está muito no alto. Suas cordas vocais coaptam
fortemente, a língua contraída recua em direção ao véu palatino, este
último participando também do esforço. Os ressonadores estão contraídos e
seu volume diminuído. Pouco a pouco surgem as dificuldades nas notas
graves, mas principalmente nas agudas, assim como nos sons ligados e nos
sons ppp.
A voz obscurecida é uma voz que comporta muitos
harmônicos graves. A laringe se fecha mal, falta firmeza aos
ressonadores assim como para os órgãos articulatórios. Desta forma, a
voz não chega aos ressonadores e não tem chance. O gasto de ar é
excessivo, a articulação é indiferenciada, incompreensível, há falta de
clareza na articulação das vogais e consoantes.
A voz gutural; nela a respiração é rígida e
fornece um excesso de pressão. A faringe está contraída na sua
totalidade. A língua apoiada atrás atrapalha os movimentos naturais da
articulação, assim como os da laringe.
A rouquidão passageira. Se após meia hora de
canto, a voz falada enrouquecer, isto indica uma classificação errônea,
cansaço vocal devido aos esforços vocais, maltrato por ter cantado
enquanto jovem demais ou durante muito tempo seguido, uma técnica mal
assimilada ou, ainda, quando o cantor canta partes muito difíceis para
ele.
A voz velada pode ser um problema passageiro ou
permanente. É o resultado do funcionamento defeituoso dos órgãos vocais e
respiratórios que podem levar à uma falta de tensão das cordas vocais. É
uma voz despojada de harmônicos agudos.
A voz branca, fraca, sem timbre, indicando não
somente uma pressão expiratória insuficiente, mas também uma falta de
tonicidade da cavidade faringo-laríngea. A língua achatada e mole obriga
a laringe à uma posição muito baixa.
Falta de homogeneidade na voz. Se caracteriza
por zonas destimbradas. As vogais claras são estridentes, as abertas
estão engrossadas e as nasais nasalizadas demais. Ainda se constata a
existência de passagens, de falhas na voz, das fífias e dificuldades
para os sons ligados e semi-tons.
A voz caprina é sempre o resultado, mais ou
menos rápido, de uma emissão forçada, uma respiração mal dosada, um mal
direcionamento do sopro, ou seja, uma técnica defeituosa. Ela acontece
num dado momento quando o cantor não consegue mais manter o esforço. O
resultado é uma espécie de tremor muscular que se propaga a todos os
órgãos, movimentos convulsivos da mandíbula, da língua, do queixo, da
úvula, perceptíveis à visão e à audição. Há uma variação de altura e
intensidade.
A diminuição da intensidade, as dificuldades com
os semi-tons, com os sons ligados, a duração insuficiente do sopro, a
falta de homogeneidade, a evidência das passagens, dos registros.
As
dificuldades surgem pouco a pouco, imperceptivelmente e após um período
que parece normal, seguido de uma fase de dificuldades crescentes,
quando aparecem as alterações ou as lesões das cordas vocais.
Os sinais que permitirão distinguir estas anomalias variadas são os que o professor de canto escuta e vê.
Os problemas de timbre são tão numerosos que é preciso tentar definir as suas causas. Estão entre elas:
a formação com esforço: órgãos contraídos, rigidez generalizada,
pescoço entumecido, veias salientes e menos freqüentemente a falta de
tonicidade.
a posição anormal da boca, da língua, a articulação apertada, a mandíbula contraída e o rosto crispado.
elevação ou abaixamento excessivo da laringe.
a má acomodação das cavidades supra-laríngeas ao som da laringe.
a respiração mal-feita e mal-utilizada.
Os problemas dos quais o cantor se queixa:
cansaço vocal, sensação de tensão interna
excessiva, mal localizada na faringe, sensação de comichão, de ardor ou
de secura da garanta, a vontade de pigarrear e mucosidades.
dor unilateral, incômodo para deglutir e crispações de um lado.
Finalmente, aquilo que o Laringologista constata:
O exame da laringe mostra problemas congestivos, após a repetição
destes traumatismos laríngeos que correspondem a erros de técnica.
Inicialmente, as cordas vocais se apresentam túrgidas depois elas se
tornam rosadas e logo a seguir vermelhas. A hiperemia passageira da
mucosa desaparece após algumas horas de descanso. Ela indica um
desacordo entre o órgão vibrador - a laringe, e o órgão ressonador - as
cavidades supra-laríngeas. Estas incoordenações motoras, que repercutem
desfavoravelmente na emissão vocal, obrigam as cordas vocais a um
trabalho de suplência secundário.
Duas disodias importantes afetam os cantores de modo particular. São
elas: a monocordite e a hemorragia sub-mucosa. A primeira geralmente
aparece após os esforços vocais prolongados: cantar numa tessitura aguda
demais, ou com uma intensidade exagerada, ou trabalhar muito tempo as
notas do extremo agudo, em suma, trabalhar em excesso.
A hemorragia sub-mucosa aparece bruscamente, com tendência a
reaparecer depois de um esforço violento: notas agudas forçadas,
sustentadas durante muito tempo etc. Uma das cordas torna-se vermelha e a
voz desaparece subitamente. Após um repouso forçado, estas disodias
regridem, mas voltam se as causas não são suprimidas.
Um problema freqüente nos cantores é o nódulo ou nódulos de uma ou das
duas cordas vocais. Incontestavelmente este é o sinal de uma técnica
errônea e de esforços contínuos.
Como conseqüência das deformações, elas apresentam duas fendas
glóticas. Disto decorre um escape de ar que o cantor trata de compensar
juntando-as fortemente, senão a voz fica velada.
Ainda como conseqüência dos esforços vocais ou do cansaço excessivo,
podem ocorrer deformações das cordas vocais que influirão no fechamento
glótico. Uma das cordas ou as duas estão hipotônicas, ou não coaptam na
parte posterior. Elas estão flácidas e flutuantes. O movimento
vibratório fica alterado e sua amplitude diminuída. A voz é velada
GENERALIDADES
Dadas as
conseqüências que podem intervir sobre as cordas vocais, portanto sobre
o rendimento vocal, é normal que os cantores sejam informados que, como
os oradores, eles estão à mercê das perturbações funcionais ou
orgânicas. Particularmente os esforços impostos aos órgãos da respiração
ou da fonação podem, com o passar do tempo, ou bruscamente, ocasionar
problemas orgânicos. Do mesmo modo as lesões ou inflamações podem
degenerar em problemas funcionais, que repercutem um sobre o outro e se
mantém mutuamente. Trata-se finalmente de um círculo vicioso do qual só
se pode sair tentando-se a lesão ou as inflamações bem como cuidando de
reestabelecer uma emissão fisiológica adequada, eliminando rapidamente
os problemas causados.
É preciso assinalar, também, que todo trabalho excessivo, toda emissão
ou respiração mal realizada, implica não somente na diminuição das
possibilidades vocais, mas também provoca a hipersecreção, isto é, muco,
que neste caso não desaparece apenas com tratamento local, mas sim pela
aquisição de uma técnica adequada.
Os cantores devem suspeitar de todas as infecções dos órgãos
supra-laríngeos (rinite, sinusite, faringite etc) mesmo temporárias, que
criam mucosidades que irão descer para a laringe e infectá-la, assim
como as obstruções ou desvios importantes das fossas nasais. Portanto
tudo aquilo que possa atrapalhar a respiração e a distribuição das zonas
de ressonância. Todas as condições que modificam as características
acústicas do som, determinam as dificuldades vocais e incitam ao
esforço.
Esses fenômenos congestivos da faringe e da laringe devem ser tratados,
porque eles podem tornar-se crônicos, provocar tosse e pigarros
traumatizando, desta forma, as cordas vocais. Esses estados congestivos
podem provir dos brônquios ou dos pulmões e provocar mucosidades. Estas
podem, também, provir do tubo digestivo. Realmente, todas as alterações
deste órgão ou dos intestinos (úlceras, colite etc) podem levar a
dificuldades vocais por via reflexa. Reações vaso-motoras no nível das
vias respiratórias aéro-digestivas podem aparecer, assim como
mucosidades criam um terreno favorável às lesões inflamatórias. Além
disso existirá também uma perturbação respiratória. Dada a
hipersensibilidade da musculatura abdominal, esta fica impedida de
desempenhar seu papel de sustentação o que reduz os movimentos do
diafragma. Progressivamente, a voz torna-se hipotônica e perde seu
timbre, sua potência e seu alcance.
Enfim é importante mencionar o que parece incompatível com a carreira lírica:
As disarmonias importantes que não podem ser compensadas pela técnica e
que obrigam a compensações desproporcionais e raras, as quais vão
repercutir sobre a qualidade e a facilidade da voz, sobre sua extensão e
desta forma comprometer a carreira do cantor.
Todas as doenças pulmonares e cardíacas susceptíveis de criar
dificuldades respiratórias, uma falta de desenvolvimento torácico, uma
hipotonia, a fonastenia, um nervosismo excessivo, um desequilíbrio
psicológico, a saúde ou órgãos vocais frágeis, distúrbios digestivos,
relaxamento excessivo da musculatura abdominal, obesidade, uma
eventração, asma ou enfisema.
As cantoras devem suspeitar dos problemas circulatórios que podem
determinar perturbações vocais importantes. Se a conexão vaso-motora
entre o órgão vocal e o órgão sexual está alterada o incômodo vocal se
acentuará na época da menstruação, principalmente se já existia antes.
Além disso haverá ainda a presença de mucosidades.
As doenças dos órgãos sexuais, assim como o período menstrual alteram a
voz, dá-se uma hipotonia. Durante a gravidez e na época da menopausa,
pode haver uma mudança de tom para mais grave e uma falta de potência.
Mas isto vai depender muito do estado geral de saúde. Certamente as
exceções são numerosas. Há mulheres que não apresentam estas influências
na voz durante este períodos, isto por que são equilibradas e têm os
órgãos vocais em perfeito estado, utilizando-os normalmente. É preciso
considerar que a idade real nem sempre corresponde à idade fisiológica.
No entanto, é evidente que para algumas mulheres as perturbações
circulatórias ou problemas nos órgãos genitais criam dificuldades
passageiras: voz velada, baixa de tonalidade, a ponto de não conseguirem
arcar com seus compromissos.
Os tratamentos hormonais tornam a voz instável e provocam uma baixa de
tonalidade. As cordas vocais ficam rosadas e logo depois vermelhas e
podem apresentar edema, espessamento e coaptam mal.
As pessoas com hipertireoidismo apresentam períodos passageiros de
rouquidão, mas sempre recidivos. O timbre é ensurdecido, o agudo
torna-se difícil e muitas vezes o canto torna-se impossível. Nos casos
de hipotireoidismo, a voz é fraca, sem modulação e pouco timbrada.
Acontece a mesma coisa com os que têm uma hipo-função das glândulas
supra-renais, que devido à uma astenia têm pouca intensidade vocal e se
cansam muito depressa. Ao contrário, os que têm uma hiper-função das
supra-renais possuem uma musculatura potente, uma voz de grande alcance e
bem timbrada.
Dada a importância do controle auditivo, toda disacusia comprometerá gravemente a emissão vocal.
Portanto, em graus muito variáveis, todos esses distúrbios podem
repercutir desfavoravelmente sobre a voz, comprometer o rendimento
vocal, podendo levar a angústias graves do tipo obsessivo: medo do
agudo, perda da memória etc.
Nestas condições, fica muito difícil para cantor, dominar o “trac”
aquele que provoca os distúrbios fisiológicos: salivação excessiva ou
secura da garganta, transpiração, distúrbios da bexiga ou do intestino,
batimentos cardíacos etc. ou aquele que intervém em certos momentos ou
frente à certas dificuldades.
De todo modo, para sobrepujá-los, o melhor meio é ser capaz de dominar
sua técnica, mesmo nos momentos difíceis. A respiração pode ser uma
ajuda preciosa. Antes de entrar em cena, basta fazer algumas respirações
calmas e profundas, assim como nas pausas musicais suficientemente
longas, para restabelecer o ritmo cardíaco e desviar a atenção dos
outros problemas.
Disto tudo, devemos saber que para seguir uma carreira lírica é preciso
estar em bom estado geral e psicológico, além dos danos necessários que
são inatos. E dada a sensibilidade e a fragilidade dos órgãos vocais e
respiratórios é preciso abster-se de um certo modo de vida: evitar as
mudanças bruscas de temperatura, o ar condicionado, a umidade e
especialmente não fumar, nem beber álcool, não cantar durante a digestão
e sempre que possível ter um sono calmo e reparador. Praticar,
paralelamente o treinamento vocal e respiratório e se possível
acrescentar exercícios de ginástica corporal.
Evitar tudo aquilo que possa irritar as cordas vocais: tosse excessiva,
pigarreio freqüente etc. É preciso, também, evitar o uso abusivo de
medicamentes; gotas, gargarejos que no decorrer do tempo podem provocar
irritação. Desconfiar das cirurgias inoportunas das cavidades nasais, a
menos que a obstrução ou os desvios sejam importantes. No caso de
infecção ou hipertrofia das amígdalas, às vezes é necessário
suprimi-las. Trata-se, não somente, de um distúrbio importante no que
diz respeito à distribuição das ressonâncias, mas também na causa de
esforços inúteis. No caso da remoção das amígdalas, pode acontecer do
cantor ser obrigado a reajustar sua técnica devido ao aumento do volume
da hipo-faringe.
Enfim, não acreditar que os medicamentos, as pastilhas, o mel! ... e
outros produtos sejam remédios eficazes. São paliativos que não
solucionam os problemas e que mantêm a hiper-sensibilidade do cantor.
O melhor meio de evitar as dificuldades funcionais e sua repercussão é
possuir uma boa higiene vocal, isto é, uma técnica impecável, mantida
regularmente, tanto da voz cantada como da voz falada. Os cantores devem
considerar tanto uma como outra e cuidá-las.
Classificar a voz falada é tão desastroso como classificar a voz
cantada. As conseqüências sãs as mesmas, elas são numerosas e às vezes
graves. Falar numa tessitura que não corresponda à sua classificação
normal, obriga as cordas vocais a um modo de vibração para o qual elas
não são feitas, a uma acomodação anormal das cavidades de ressonância, a
um deslocamento do tremor vibratório privando a voz falada da sua
riqueza harmônica, ou seja das suas qualidades estéticas e expressivas.
Há cantores que pensam resolver o problema do agudo, cantando em mezzo
sendo soprano, ou ainda os que cantam em soprano e falam em contralto!
Não há nada mais chocante para o ouvido do que escutar um cantor usar
sua voz cantada normalmente e falar com uma voz diferente. Só podemos
admitir uma razão para a baixa tonalidade da voz falada ou cantada, é a
idade, e isto varia de indivíduo para indivíduo. O agudo pode diminuir, a
extensão pode perde algumas notas, mas isto não se deve a uma mudança
de categoria vocal e sim à idade, quando o potencial muscular pode
diminuir ou o estado geral mais ou menos deficiente não permitir mais a
tonicidade muscular necessária ao extremo agudo. Porém, isto não implica
de modo algum na mudança de tessitura da voz falada ou cantada.
São numerosos os cantores que, após uma desclassificação voluntária,
tiveram que interromper uma carreira que teria podido prosseguir por
mais tempo, se, tivessem usado a mesma tonalidade para a voz falada e
cantada.
A Fadiga Vocall_ A
fadiga vocal excessiva é a conseqüência de esforços prolongados tais
como: notas sustentadas muito tempo, abuso de notas agudas, ou trabalhar
a voz quando há rouquidão. As cordas vocais ficam vermelhas assim como
os órgãos vizinhos. As modificações da forma das cordas vocais e de sua
tensão aparecem logo depois.
Tanto para o maltrato como para a fadiga excessiva, a musculatura perde
sua agilidade e sua resistência. Segue-se uma diminuição do rendimento
vocal, assim como modificações das particularidades acústicas do timbre
que podem ir da voz velada à mais discreta chegando à rouquidão
persistente e às deformações das cordas vocais, portanto a uma
incoordenação entre o trabalho dos órgãos vocais e respiratórios.
Estas diferentes causas terão repercussões sobre a respiração, seja por
que a maneira imposta de respirar não é fisiológica, seja por que o
cantor tem dificuldades próprias.
Eis aqui as mais importantes causas destas dificuldades.
O Maltrato Vocal
_O
maltrato vocal, trata-se de uma intoxicação lenta e progressiva que se
instala insidiosamente e intervém após um excesso de trabalho.
Encontra-se isto, particularmente naqueles que procuram um hipertimbre.
No início não há lesão, mas as alterações das cordas vocais aparecem
depressa e aumentam com o tempo. Concomitantemente, há hipersecreção e
pigarros e as cordas vocais tornam-se rosadas, depois vermelhas e
deformadas. Estas perturbações aparecem, geralmente, nos cantores que
não se preocupam com a respiração, ou quando esta se encontra
mal-adaptada. Também naqueles que recebem orientações errôneas, nos que
são mal e/ou prematuramente classificados. Enfim, quando há uma má
higiene vocal e geral.
A fadiga vocal excessiva é a conseqüência de
esforços prolongados tais como: notas sustentadas muito tempo, abuso de
notas agudas, ou trabalhar a voz quando há rouquidão. As cordas vocais
ficam vermelhas assim como os órgãos vizinhos. As modificações da forma
das cordas vocais e de sua tensão aparecem logo depois.
Tanto para o maltrato como para a fadiga
excessiva, a musculatura perde sua agilidade e sua resistência. Segue-se
uma diminuição do rendimento vocal, assim como modificações das
particularidades acústicas do timbre que podem ir da voz velada à mais
discreta chegando à rouquidão persistente e às deformações das cordas
vocais, portanto a uma incoordenação entre o trabalho dos órgãos vocais e
respiratórios.
Estas diferentes causas terão repercussões sobre a
respiração, seja por que a maneira imposta de respirar não é
fisiológica, seja por que o cantor tem dificuldades próprias.
Eis aqui as mais importantes causas destas dificuldades.A Respiração InvertidaA
respiração invertida. O ar é tomado na parte superior do tórax e
determina esforços no nível dos ombros, do pescoço e dos músculos
laríngeos. Durante a fonação, o ventre se contrai, se imobiliza, é o
bloqueio diafragmático, o que torna impossível os movimentos naturais
deste músculo. A voz é áspera por falta de agilidade da musculatura
respiratória.
Os movimentos respiratórios exagerados são
acompanhados por uma capacidade respiratória muito grande, por uma
dilatação exagerada dos alvéolos pulmonares, podendo provocar o enfisema
e fazendo com que a voz se eleve muito. Com freqüência ao emitir notas
agudas, o cantor eleva toda a parte superior da caixa torácica e inspira
o máximo de ar. Ele confunde capacidade e pressão.
A Rigidez Muscular
A rigidez muscular tem
como conseqüência uma capacidade insuficiente e impossibilita a
adaptação do gesto respiratório ao da emissão, devido à ausência do jogo
diafragmático.
A respiração costal-superior nos dois tempos da respiração. Somente a
parte superior da caixa torácica mexe. Este modo de respirar tem como
conseqüência uma hipertonia da musculatura abdominal, que nos momentos
de forte intensidade ou no extremo agudo é obrigada a um acréscimo de
trabalho.
A abertura exagerada das costelas sobre as quais o cantor toma apoio.
Isto limita a possibilidade de movimento da cinta abdominal bem como sua
agilidade.
Os movimentos da parede abdominal são muito exagerados e são feitos em
detrimento da abertura lateral das costelas e do trabalho da
musculatura dorso-lombar. Ou encontramos contração, somente no nível da
cavidade epigástrica, por falta de tonicidade do grande reto, ou a parte
superior deste músculo é empurrada para a frente no momento da fonação.
O trabalho do grande reto é mal compreendido. Ao invés de relaxar na
inspiração, ao mesmo tempo que a parede do abdômen, ele se contrai e é
empurrada para a frente, o que limita os movimentos abdominais.
A falta de tonicidade da cinta abdominal que não pode, desta forma,
desempenhar seu papel de sustentação. A voz é velada e lhe falta
intensidade. A inspiração é normal, mas o ventre é empurrado para a
frente durante o canto.
Os movimentos inspiratórios são desproporcionais e não estão
relacionados com a quantidade de ar inspirado. Neste caso, a capacidade
pode ser insuficiente ou exagerada.
Na maioria dos casos, as imperfeições do gesto respiratório impedem ou
limitam a subida do diafragma. Decorrem disto, esforços de compensação,
especialmente no pescoço, nos órgãos laríngeos e peri-laríngeos. Fica
difícil regular e sustentar a respiração em função das exigências da
música, o que leva mais ou menos rapidamente aos problemas de emissão
devidos a um trabalho mal distribuído, excessivo ou insuficiente,
conforme cada caso. A laringe fica prejudicada nos seus movimentos
naturais, a faringe modifica seu volume, as cordas vocais coaptam demais
ou de modo insuficiente, daí se seguem as alterações do timbre, as
modificações da duração, da intensidade e da altura tonal.
No que diz respeito à articulação, as dificuldades observadas,
geralmente decorrem de orientações errôneas, por desconhecimento das
regras da fonética, de emissões que utilizam atitudes anormais
determinando uma rigidez muscular, ou pela falta de tonicidade.
É preciso impedir: a abertura da boca em altura na maioria das sílabas
(o que abafa a voz e deforma a articulação), a posição transversal
exagerada dos lábios, de modo pouco estético e pouco habitual. E, ainda,
evitar a rigidez da mandíbula, a expressão crispada do rosto, os
movimentos inexatos da língua e o tremor a que ela é submetida nos
agudos, às vezes mesmo em toda a extensão vocal. Este defeito muito
difundido, indica uma sonoridade que não encontrou seu lugar, que mexe
com cavidades mal-adaptadas ao som da laringe e, sobretudo, a um sopro
mal direcionado ou, ainda, a um excesso de pressão. Isto começa com um
tremor regular associado a um vibrato exagerado que pode levar à voz
caprina.
Freqüentemente ressaltamos ao longo deste trabalho, - dada sua
interação com os órgãos circunvizinhos -, a importância dos movimentos
articulatórios, pois é por seu intermédio que as sonoridades vocais são
criadas e que certos problemas de timbre podem ser corrigidos.
É evidente que todo cantor, que deseje ser compreendido, deveria
respeitar certos princípios. Se os oradores cometessem os mesmos erros,
utilizassem as mesmas deformações da articulação que observamos em
alguns cantores, eles também não seriam compreendidos. Algumas pessoas
argumentarão que a voz cantada exige movimentos e tensões mais
desenvolvidas que a voz falada. Mas, já que existem cantores dotados de
uma voz poderosa cujo texto é percebido inteiramente e atravessa a
ribalta, por que não deveria ser igual para os outros? É normal escutar
certos cantores e não saber em que idioma eles cantam?
Temos que observar atentamente as posições da laringe, localizada
muito em cima ou muito embaixo em relação à altura tonal. Nestas
condições é fácil imaginar o esforço pedido à toda a musculatura
circunvizinha para impedir a laringe de executar os movimentos de
ascenso ou descenso e o incômodo imposto à articulação.
A posição muito baixa da laringe pode ser conseqüência de uma
má-adaptação do bocejo. Este procedimento pode ser utilizado, pois
bocejar nos permite tomar consciência de que os pilares, o véu palatino,
assim como a parede faríngea estão em tensão muscular e provocam o
alargamento transversal das cavidades de ressonância. Ele não é ineficaz
nem perigoso, desde que se leve em conta que bocejar exige uma enorme
tensão da musculatura, a ponde de provocar, simultaneamente, um recuo da
língua em direção à hipo-faringe o que impõe o abaixamento da laringe e
impede os movimentos destes dois órgãos (figura 30). Podemos pensar no
bocejo quando se trata da musculatura velo-faríngea, isto pode ser útil
em alguns casos, desde que isto não impeça a mobilidade da língua e da
laringe.
_O Esforço ExcessivoO Esforço Excessivol_
Podemos observar cantores cuja laringe está
sempre posicionada muito em cima e desta forma há falta de
flexibilidade. Nesta atitude excessiva, a base da língua se eleva e se
contrai exageradamente contra o véu palatino, o que diminui o volume da
cavidade faríngea.
Estas duas posições extremas são muito usadas
como base da técnica do canto. Elas são anti-fisiológicas, por que
impõem ao mesmo tempo uma coaptação excessiva das cordas vocais, uma
modificação do timbre, uma pressão expiratória intensificada demais,
assim como uma má união faringo-laríngea.
No que diz respeito à emissão vocal, devemos
abolir tudo aquilo que incomodará ou impedirá a acomodação das cavidades
supra-laríngeas ao som emitido pela laringe:
• buscar um timbre específico, muito claro ou
muito sombrio, o exagero das ressonâncias guturais, palatais, faríngeas e
nasais, indica sempre, uma péssima distribuição das zonas de
ressonância.
• o esforço para colocar a
voz na frente , mesmo nos momentos de grande potência – o que incita a
empurrar – quando todos os fenômenos acústicos são experimentados no interior dos órgãos.
• a voz na máscara ou sobre os lábios.
• o abuso de certos apoios que representam esforços excessivos.
• cantar muito alto ou baixo demais, muito
grave ou muito agudo em relação às possibilidades naturais. Insistir
demais sobre notas agudas ou em passagens extensas.
• inclinar a cabeça para frente, o que impede os movimentos laríngeos e indicam a pesquisa da voz na parte anterior da cabeça.
• o “golpe de glote” ou tomada da nota por
baixo que resulta da falta de sincronização entre a pressão sub-glótica e
a postura das cavidades faringo-laríngeas.
• treinamento vocal sempre na mesma vogal.
• abuso da voz de cabeça que, não sustentada pode levar à voz de falsete.
• uso abusivo do
portamento o que indica a falta de sinergia entre os órgãos vocais e respiratórios.
Todas estas pesquisas ou abusos do gesto vocal
vão determinar, principalmente, um comportamento de esforço que terá
conseqüência sobre o timbre da voz.
Serão alterações tais como:
• A
voz estridente , que é o
resultado de uma voz clara demais, exageradamente brilhante e localizada
na frente. O cantor força sua laringe que está muito no alto. Suas
cordas vocais coaptam fortemente, a língua contraída recua em direção ao
véu palatino, este último participando também do esforço. Os
ressonadores estão contraídos e seu volume diminuído. Pouco a pouco
surgem as dificuldades nas notas graves, mas principalmente nas agudas,
assim como nos sons ligados e nos sons
ppp .
• A
voz obscurecida é uma voz que
comporta muitos harmônicos graves. A laringe se fecha mal, falta firmeza
aos ressonadores assim como para os órgãos articulatórios. Desta forma,
a voz não chega aos ressonadores e não tem chance. O gasto de ar é
excessivo, a articulação é indiferenciada, incompreensível, há falta de
clareza na articulação das vogais e consoantes.
• A
voz gutural ; nela a respiração é
rígida e fornece um excesso de pressão. A faringe está contraída na sua
totalidade. A língua apoiada atrás atrapalha os movimentos naturais da
articulação, assim como os da laringe.
• A
rouquidão passageira . Se após
meia hora de canto, a voz falada enrouquecer, isto indica uma
classificação errônea, cansaço vocal devido aos esforços vocais,
maltrato por ter cantado enquanto jovem demais ou durante muito tempo
seguido, uma técnica mal assimilada ou, ainda, quando o cantor canta
partes muito difíceis para ele.
• A
voz velada pode ser um problema
passageiro ou permanente. É o resultado do funcionamento defeituoso dos
órgãos vocais e respiratórios que podem levar à uma falta de tensão das
cordas vocais. É uma voz despojada de harmônicos agudos.
• A
voz branca , fraca, sem timbre,
indicando não somente uma pressão expiratória insuficiente, mas também
uma falta de tonicidade da cavidade faringo-laríngea. A língua achatada e
mole obriga a laringe à uma posição muito baixa.
•
Falta de homogeneidade na voz . Se
caracteriza por zonas destimbradas. As vogais claras são estridentes, as
abertas estão engrossadas e as nasais nasalizadas demais. Ainda se
constata a existência de passagens, de falhas na voz, das fífias
e dificuldades para os sons ligados e semi-tons.
• A
voz caprina é sempre o
resultado, mais ou menos rápido, de uma emissão forçada, uma respiração
mal dosada, um mal direcionamento do sopro, ou seja, uma técnica
defeituosa. Ela acontece num dado momento quando o cantor não consegue
mais manter o esforço. O resultado é uma espécie de tremor muscular
que se propaga a todos os órgãos, movimentos convulsivos da mandíbula,
da língua, do queixo, da úvula, perceptíveis à visão e à audição. Há uma
variação de altura e intensidade.
• A
diminuição da intensidade , as
dificuldades com os semi-tons, com os sons ligados, a duração
insuficiente do sopro, a falta de homogeneidade, a evidência das
passagens, dos registros.
As dificuldades surgem pouco a pouco,
imperceptivelmente e após um período que parece normal, seguido de uma
fase de dificuldades crescentes, quando aparecem as alterações ou as
lesões das cordas vocais.
Os sinais que permitirão distinguir estas anomalias variadas são os que o professor de canto escuta e vê.
NT.: Vício de má formação musical. Trata-se de passar de uma nota para
outra passando por todas as notas intermediárias que se encontram entre a
primeira nota e a segunda nota a ser cantada.
NT.: As fífias são sons discordantes da voz ou de instrumentos musicais.
Sobre toda a extensão ou sobre algumas notas.
. Associado ao tremor vocal
Que os “closes” da televisão põem em evidência.